A Usina Nuclear de Metsamor, oficialmente denominada Central Nuclear de Armênia, está localizada a cerca de 36 km a oeste da capital Ierevan e a aproximadamente 16 km da fronteira com a Turquia. Trata-se da única instalação nuclear em operação no Cáucaso do Sul e de uma das poucas usinas nucleares em funcionamento em uma região considerada de alta sismicidade. Sua posição geográfica confere relevância estratégica não apenas ao setor energético da Armênia, mas também à segurança energética do conjunto regional.
O empreendimento foi concebido durante a década de 1970, no contexto do amplo programa nuclear civil da União Soviética, que buscava difundir reatores de água pressurizada (VVER) em várias repúblicas da União. Metsamor foi equipada com a variante VVER-440/270, considerada uma modificação da segunda geração de reatores soviéticos de água pressurizada. Diferente da versão VVER-440/213, que incorporava sistemas adicionais de contenção e resfriamento de emergência, o modelo instalado na Armênia possuía barreiras de segurança mais limitadas e um projeto estrutural menos robusto contra acidentes severos. Ainda assim, sua concepção seguia a lógica modular dos VVER, com seis circuitos primários independentes conectados a geradores de vapor horizontais, uma característica singular da engenharia soviética da época. A ausência de uma contenção plena em cúpula de concreto armado, típica de projetos ocidentais ou das séries soviéticas posteriores, foi compensada por uma filosofia de redundância operacional e pela robustez dos sistemas de refrigeração primária. Essa configuração, embora considerada hoje tecnicamente ultrapassada, mostrou-se confiável ao longo de décadas de operação e continua servindo como base para os processos de modernização conduzidos após a independência armênia. A construção iniciou-se em 1969, e a primeira unidade entrou em operação em 1976, seguida pela segunda em 1980.

O projeto soviético de Metsamor priorizou a padronização tecnológica, utilizando a mesma lógica aplicada em outras centrais VVER da época. Os sistemas de segurança refletiam os padrões disponíveis nos anos 1970, com redundâncias limitadas em comparação com os modelos desenvolvidos após o acidente de Chernobyl (1986). Ainda assim, a concepção visava garantir operação estável em uma rede elétrica relativamente pequena e isolada, como a da Armênia.
O terremoto de Spitak, em 1988, com magnitude 6,8, causou destruição significativa em grande parte do território armênio, levantando preocupações sobre a segurança de Metsamor. Como medida preventiva, ambas as unidades foram desligadas em 1989. Durante o período de paralisação, a Armênia enfrentou sérios déficits energéticos, especialmente após a independência em 1991 e o subsequente bloqueio econômico imposto por países vizinhos, o que limitava severamente a importação de combustíveis fósseis.
Em resposta à crise energética, o governo armênio, com apoio técnico da Rússia, decidiu reativar a unidade 2 de Metsamor. O reator foi religado em 1995 após inspeções, recondicionamento de sistemas de segurança e substituição de componentes essenciais. Desde então, a usina passou por diversas etapas de modernização, incluindo a instalação de novos sistemas de proteção contra acidentes severos, atualizações em sistemas de controle e o reforço estrutural para maior resistência sísmica.
Atualmente, a usina opera com apenas um dos reatores originais. A unidade ativa fornece aproximadamente 40% da eletricidade consumida na Armênia, desempenhando papel central na matriz energética do país. Considerando a escassez de recursos fósseis domésticos e as restrições impostas por bloqueios regionais, Metsamor permanece como a principal fonte de energia de base para o sistema elétrico nacional.

A extensão da vida útil da usina tem sido objeto de cooperação internacional, sobretudo com a Federação Russa. Entre 2015 e 2021, foi conduzido um amplo programa de modernização para prolongar a operação do reator até pelo menos 2036. Esse processo incluiu a substituição de geradores de vapor, melhorias nos sistemas de refrigeração, incremento da automação e a adoção de novas normas de monitoramento de segurança.
Paralelamente, o governo armênio discute a construção de uma nova unidade nuclear no mesmo local ou em suas proximidades. Os planos preveem a instalação de um reator mais moderno, com capacidade superior e sistemas de segurança de terceira ou quarta geração, a fim de substituir gradualmente Metsamor e assegurar a continuidade da geração nuclear no país. O futuro da central, portanto, representa tanto a preservação de um legado tecnológico iniciado no período soviético quanto a transição para padrões internacionais contemporâneos de segurança nuclear.

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