O programa nuclear da União Soviética foi um marco da ciência aplicada aos interesses do povo. Fruto de um esforço coletivo, mobilizou milhares de cientistas, engenheiros e trabalhadores com o objetivo de garantir a soberania energética e tecnológica do país. Além da criação da bomba atômica em 1949, a URSS foi pioneira na construção da primeira usina nuclear do mundo (Obninsk, 1954), estabelecendo uma nova era para a produção pacífica de energia.
Mais do que um projeto nacional, o programa nuclear soviético teve caráter internacionalista. Através da formação de quadros estrangeiros, da construção de reatores civis e da transferência de tecnologia, a União Soviética apoiou diversos países da Ásia, África e América Latina em seus processos de desenvolvimento autônomo.
Sabendo disso, vamos conhecer um pouco sobre os fundadores da primeira grande experiência socialista do mundo?

Igor Vasilyevich Kurchatov (1903–1960), conhecido como o “pai da bomba atômica soviética” e também “o barba”, foi o diretor científico do programa nuclear da União Soviética. Inicialmente formado em arquitetura naval, Kurchatov tornou-se autodidata em física nuclear e, em 1942, foi designado para liderar o desenvolvimento de armas nucleares soviéticas. Ele estabeleceu o Laboratório Nº 2 em Moscou, que se tornou o centro do projeto atômico soviético.
Kurchatov supervisionou o desenvolvimento e o teste da primeira bomba atômica soviética em 1949 e da primeira bomba termonuclear prática em 1953. Também foi responsável pela criação do primeiro reator nuclear da Europa e pela construção da primeira usina nuclear do mundo, em Obninsk, em 1954. Sua atuação impulsionou o uso pacífico da energia nuclear, com projetos voltados para medicina, agricultura e geração elétrica, consolidando a base técnico-científica para o complexo nuclear soviético.

Yulii Borisovich Khariton (1904–1996) foi o principal designer de armas nucleares da União Soviética e uma figura central no desenvolvimento do programa atômico soviético. Após obter seu doutorado em ciências físico-matemáticas em 1935, Khariton trabalhou no Instituto de Física Química, onde conduziu pesquisas pioneiras sobre reações em cadeia de fissão nuclear. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua expertise em explosivos foi aplicada em estudos experimentais de armamentos soviéticos e estrangeiros. Em 1943, Igor Kurchatov convidou Khariton para integrar o projeto atômico soviético, e em 1946, ele foi nomeado diretor científico do KB-11 (Arzamas-16), o principal centro de desenvolvimento de armas nucleares da URSS. Sob sua liderança, o KB-11 projetou e testou a primeira bomba atômica soviética em 1949 e a primeira bomba de hidrogênio em 1953.

Vyacheslav Alexandrovich Malyshev (1902–1957) foi um engenheiro e administrador soviético que desempenhou um papel fundamental na organização e gestão da indústria nuclear da URSS. Como Ministro da Construção de Máquinas Médias, ele supervisionou a produção e o desenvolvimento de equipamentos essenciais para o programa nuclear soviético. Malyshev foi responsável por coordenar os esforços de diversos institutos de pesquisa e fábricas, garantindo a integração eficiente das atividades científicas e industriais no projeto atômico soviético.
Sua liderança foi crucial para o sucesso do programa nuclear soviético, e ele é lembrado como o “principal engenheiro atômico da União Soviética”, após nomeação dada por Josef Stálin.

Química e engenheira russa, Zinaida Yershova (1904–1995) foi uma das pioneiras na produção de urânio metálico e trítio para o programa nuclear soviético. Trabalhou sob a orientação de Vitaliy Khlopin e liderou laboratórios no Instituto de Materiais Especiais (NII-9), contribuindo para a produção de plutônio, urânio e polônio utilizados nas primeiras bombas nucleares soviéticas. Posteriormente, seus trabalhos foram aplicados em missões espaciais, incluindo os satélites Kosmos e os veículos lunares Lunokhod.
Além de seu trabalho técnico, Yershova liderou a formação de novos especialistas e contribuiu para o desenvolvimento de métodos seguros no manuseio de materiais radioativos. Foi condecorada com a Ordem de Lênin e o Prêmio Stalin.

Vitaliy Grigorievich Khlopin (1890–1950) foi um químico soviético e pioneiro na pesquisa em radioquímica. Ele fundou o Instituto de Rádio em Leningrado, que mais tarde foi nomeado em sua homenagem como Instituto de Rádio V.G. Khlopin. Sob sua direção, o instituto tornou-se um centro líder em pesquisas sobre radioatividade, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da ciência nuclear na União Soviética.
Khlopin também foi responsável pela construção do primeiro ciclotron da Europa, uma importante ferramenta para pesquisas em física nuclear. Seu trabalho estabeleceu as bases para a produção de isótopos e o avanço da radioquímica na URSS.

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