Artigo de Pedro Loeher, professor da Brigada Chinesa, mestrando em História da Ásia na Southwest University, China, e bacharel em Relações Internacionais.
Muito tem sido dito sobre as desventuras que rondam a arena internacional desde o início dos anos 2000. Da infame Guerra ao Terror à pandemia do COVID-19, passando por crises financeiras de larga escala e toda a sorte de rearranjos socio-políticos a nível regional, esse 1/4 de século já superou as expectativas de muitos cientistas políticos e analistas de Relações Internacionais. Alguns, talvez a contragosto, já admitem que o alvorecer do século XXI não representou o crepúsculo da história.
As causas para essa instabilidade generalizada também não são poucas. A dizer: a vertiginosa ascensão chinesa; as crises de identidade que rondam a Europa; a retomada do protagonismo russo e as convulsões da América Latina e da África vis-à-vis o atual quadro de imprevisibilidade e incerteza que lhes aflige. No entanto, pretendo me ater a uma questão — que, ao meu ver, é um denominador comum dentre os pontos supracitados — que há muito abraçou das principais manchetes da grande mídia a reflexões independentes dentro deste aplicativo: a aparente falência dos Estados Unidos em se manter enquanto hegemonia no sistema internacional.
A vitória de Donald Trump nas últimas eleições estadunidenses é vista por muitos como os toques finais de uma pintura da qual a moldura já estava posta desde os fins do século passado — o que não é muita surpresa, visto que seu primeiro mandato e as múltiplas oportunidades perdidas pelos seus sucessores nos anos que se seguiram podem ser interpretadas como um sneak peek da tragédia. Também figuram no quadro os custos políticos e econômicos de uma série de guerras e intervenções pelo Oriente Médio, feitas em grande parte para satisfazer o apetite voraz de um complexo industrial-militar aparentemente insaciável, bem como aplacar a sede de uma elite financeira que há muito transita entre o público e o privado, e que também não vê muito problema em arrastar outros países para uma crise econômica transnacional como consequência de suas ações, desconhecendo o significado da palavra “limites”.
Dito isto, as ações de Trump II até o presente momento foram capazes de acentuar ainda mais essas discrepâncias e redefinir previsões que de antemão já não viam com bons olhos os rumos da atual administração estadunidense. Os cansados discípulos da ordem liberal internacional travam agora uma batalha em dois frontes: de um lado, resistem ante as vagas dos movimentos à esquerda — que, ainda que oprimidos pelo crescimento da direita, veem no atual desarranjo um momento propício para recuperar o terreno perdido desde o imediato pós-Guerra Fria—; de outro, debatem-se uns contra os outros em relação a qual caminho trilhar em meio a crescente expressividade de movimentos nacionalistas, que trocam com demasiada facilidade os ilustres valores liberais pelo conservadorismo e evocam o passado como solução para o futuro. E por falar em nacionalismo démodé, o governo republicano não tem deixado nada a desejar nesse quesito, a não ser que alguém considere como válido a Casa Branca apresentar o presidente enquanto um rei desenhado por inteligência artificial ou o Departamento de Segurança Interna, como forma de reforçar a sua narrativa, tirar as pinturas de John Gast de sua coleção de bricabraques. Como muitos adoram dizer: “seria cômico se não fosse trágico”. Neste caso, como bom adepto do Realismo, gostaria de aproveitar a oportunidade para sublinhar o trágico.
Ao tomar como garantido o distanciamento dos Estados Unidos do papel de liderança da ordem liberal vigente — e, por consequência, o eventual colapso dessa ordem — é natural que muitos optem pelo caminho de refletir sobre o que nos aguarda nesse futuro “não tão distante”. Alguns, para além de tomarem a derrocada estadunidense como certa, já festejam com pompa a tal morte antecipada, fenômeno cada vez mais comum em tempos em que a opinião precisa preceder a reflexão, o que pessoalmente vejo com certa desconfiança. Não me entendam mal. Celebrar o fracasso de um ordenamento político-econômico responsável por arrastar um sem-fim de povos à pobreza e à miséria sob o pretexto de promover o livre comércio e a liberdade é uma postura mais do que louvável. No entanto, um dos objetivos desse texto — para além, é claro, de extravasar por escrito reflexões que volta e meia me tiram a paz — é propor uma visão menos apaixonada e que se atenha mais ao processo da queda do que ao tombo em si. Há também a possibilidade de se interpretar tudo o que se segue como um exercício de cautela vindo de uma pessoa que, veja você, é conhecida por pensar à quinta marcha.
A grosso modo, o realismo prega que a anarquia inerente ao sistema internacional e a constante busca por autopreservação sempre dão lugar às maiores confusões. Seja Morgenthau com seus princípios que ancoram o Realismo Político em leis objetivas advindas da natureza humana — leis essas que, segundo ele, são incontestáveis e irrefutáveis — ou Mearsheimer e sua argumentação que estados sempre vão buscar maximizar suas capacidades à custa de seus rivais em potencial e que a busca pela hegemonia é o objetivo último no xadrez global, o Realismo tem essa fama de ser pessimista por natureza.
E não é como se todo esse pessimismo fosse infundado. Obviamente, sei que seria ambicioso, além de muito cansativo, citar os inúmeros exemplos que a História nos dá sobre o comportamento imprevisível e por muitas vezes violento que estados costumam apresentar quando estão em queda livre ou próximos de uma catástrofe. A situação toma um contorno ainda mais delicado quando temos em mente que os atores envolvidos na arena internacional são menos racionais do que aparentam ser e que política externa é mais sobre ameaças percebidas do que ameaças reais. Em suma: tudo não passa de uma eterna partida de xadrez com participantes que são mais inseguros do que propriamente estrategistas.
É bom lembrar também que refletir sobre nações au bord du gouffre não é um exercício mental recente. Estudar o que estados, adversários ou não, fazem em situações de tensão é uma prática que foi adotada por pensadores dos mais diversos vieses e que precede a própria origem do Realismo enquanto corrente de pensamento. Seja Sunzi e seus conselhos quanto a “não pressionar demais um inimigo derrotado” ou Robert Gilpin em sua releitura de Tucídides para ilustrar o comportamento belicoso de estados em declínio, diversos foram os autores que se dedicaram a compreender as nuances do que podemos chamar de transição hegemônica.
Autores como Kindleberger nos lembram da importância do papel do hegemônico na estabilidade do sistema internacional no âmbito econômico, atribuindo as diversas crises financeiras do início do séc.XX a ausência de uma liderança global devidamente capacitada. A queda da influência britânica na arena internacional no pós-primeira guerra e a falta de proatividade dos Estados Unidos em assumir o papel de hegemon figuram como os grandes vilões desse período histórico. Para além do problema dos “dois motoristas” — um inapto a dirigir e outro não muito a fim de sentar atrás do volante —, há quem argumente ainda que os caminhos percorridos pelo carro da política mundial são, de uma maneira ou outra, já determinados. Em seu modelo preditivo — não entrarei no mérito da sua teoria dos ciclos longos, por mais que pessoalmente eu também pense com frequência em padrões na história —, Modelski divide os ciclos de liderança em períodos que giram em torno de 100 anos. Existem duas fases dentro desse modelo que acho bastante pertinentes para o cenário em que vivemos: deslegitimação, marcada pelo enfraquecimento da potência mundial na resolução de problemas e erosão da estabilidade político-econômica vigente, e desconcentração, em que o vácuo de poder hegemônico dá lugar a uma ordem multipolar com o surgimento de novos players, conflitos regionais e nacionalismo rompante.
Ainda que acredito que classificações como essa sejam pertinentes para entendermos melhor o comportamento dos estados, penso que tomar a história global como um ciclo de repetições seja um pouco demais. A teoria de Modelski nesse sentido é ainda mais grave, pois as guerras mundiais não só entram no padrão vicioso como marcam o início de um novo ciclo de liderança. Reconhecer a existência de similaridades em diferentes períodos históricos pode ser bastante útil no campo das RI, porém analisar política externa por meio de lentes tão pessimistas — e pior, acreditar que uma liderança só é capaz de surgir através da violência generalizada — é uma receita para o desastre, como é sabido. Pessimismo alimenta inseguranças, que por sua vez contribuirão para a tomada de decisões não muito inteligentes, como o fantasma do dilema de segurança não nos deixa esquecer.
Assim como muitas coisas na vida, precisamos de estabelecer um equilíbrio ao tentar entender essas questões. E falo isso porque o que vem agora é aparentemente contraditório ao que afirmei acima. Não é porque não enxergo como plausível uma guerra generalizada envolvendo as grandes potências que não vejo possíveis desarranjos ou conflitos envolvendo o Tio Sam em seu processo de declínio. Este texto começou por citar alguns deles, então vamos para o que o mais me (nos) aflige.
A começar por um assunto que dominou as principais manchetes no ano passado: Trump e sua pretensiosa guerra tarifária. Segundo Yale, os custos totais das tarifas vigentes nos EUA já estão quase na casa dos 18%, valor mais alto desde 1933, em um protecionismo de dar inveja a List. Não entrarei no mérito da eficácia dessas políticas para a sua indústria nada infante, ou tampouco nas recepções nada calorosas do povo estadunidense vis-à-vis essas medidas, mas é interessante observar como essa política econômica reverberou para além das terras dos ianquis.
Incerteza talvez seja a melhor palavra para definir o imediato pós-tarifas. Dos vizinhos imediatos, como o Canadá e o México, até países que aparentemente não se cansam de seguir os ditos da política externa estadunidense — mesmo a despeito das infelizes consequências de tal alinhamento — como a Índia e o Japão, poucos foram os países que escaparam do chicote tarifário de Donald Trump. A velha Europa também não saiu ilesa, com sua indústria automobilística e farmacêutica sendo particularmente prejudicadas pelos novos impostos. Para nós do Cone Sul, a situação também não foi favorável. O Brasil, como grande exportador de commodities, foi o grande alvo do America First. Ainda acho curioso como que o país que é considerado o grande responsável por empurrar goela abaixo uma ordem “liberal”, criada a sua imagem e semelhança, decide passar a marcha ré e ir contra tudo o que pregou desde meados do século passado.
No entanto, a atual complexidade da arena internacional não é a mesma do imediato pós-segunda guerra. A mudança de um cenário predominantemente bipolar para uma realidade multifacetada, que conta com diversos novos players e suas respectivas agendas, é uma alteração que pesa muito no resultado de políticas macroeconômicas como essa onda de protecionismo. Em muitos casos, notavelmente no embate contra a China, as tarifas exorbitantes não surtiram os efeitos desejados. E também não foi de todo surpreendente o fato de que diversas lideranças globais repudiaram as políticas de Trump, mesmo que alguns países ainda optem pelo caminho da subserviência, a exemplo do já citado Japão e, mais recentemente, nossos hermanos ao sul.
E por falar nos nossos hermanos, a Argentina se apresenta como um exemplo claro de como a ingerência estadunidense no campo econômico pode facilmente transbordar para outros setores. Em abril do ano passado, em meio ao tango nada harmonioso pelo qual passam as finanças do país, Milei recebeu um convidado especial na Casa Rosada. Alvin Holsey, atual cabeça do Comando Militar Sul dos EUA, que ficou por três dias em Buenos Aires e aproveitou a oportunidade para visitar a nova base militar “Argentina” em Ushuaia, Terra do Fogo.
A existência do Comando Sul dos Estados Unidos já é um motivo de tormento constante para nós latino-americanos, como nossa história recente não deixa mentir. Infelizmente, os ventos da segunda administração Trump indicam que nossos mares ainda serão turbulentos. Em maio deste ano, Alvin Holsey fez questão de olhar com desconfiança a crescente presença chinesa em terras latinas. Não que o posicionamento em vigor antes dele fosse diferente de alguma forma, visto que sua antecessora, Laura Richardson, foi uma forte crítica às parcerias latinas com a China. Durante uma fala para o Conselho do Atlântico em 2023, Richardson, para além de usar o espantalho das “estatais chinesas de dupla finalidade” na LATAM, salientou como a LATAM é rica em recursos naturais e como os EUA precisam “step up their game” — sem deixar também de mencionar, é claro, o papel dos exércitos para a manutenção da democracia na região. Essa piada já está bem batida, eu sei, a coisa toda é que ela ainda tem muitos adeptos. De Washington a Buenos Aires, muita gente quer rir de novo.
Declarações como a de Hegseth, atual Secretário de Defesa que quer ser conhecido por Secretário da Guerra, sobre a América Latina ser “o quintal dos Estados Unidos” — pelo menos Richardson teve a finesse de nos chamar de “vizinhos” em sua entrevista — e as recentes diretivas de Trump que autorizam o uso das forças armadas em solo estrangeiro à guisa de coibir o tráfico de drogas figuram como indicativos que o “grande porrete” ainda está lá, mesmo que quem o balance não tenha o mesmo vigor de antes. O ataque a Venezuela e o sequestro de Maduro se mostram como os exemplos mais claros disso. Para além disso, à despeito das reclamações do novo Departamento de Eficiência Governamental, o conhecido buraco negro que é o orçamento de defesa estadunidense só termina por ficar cada vez mais largo. O “Grande e Belo Projeto de Lei”, assinado em plenas comemorações do 04 de julho passado, permite elevar os gastos com segurança para casa dos trilhões. Mais um bom lembrete de que uma potência em declínio ainda é uma potência.
Como se as ofensivas econômicas e bélicas já não bastassem, ainda existe a ameaça oriunda da influência de Trump e suas visões chauvinistas. O Big Stick ideológico da atual administração já se provou bem eficaz, servindo de exemplo para partidos de extrema-direita nos mais diversos lugares. As consequências do outro lado do Atlântico já são preocupantes: discursos que bradam sobre o perigo das “instituições globalistas”; que fazem menção a um nacionalismo que deveria ter ficado no século XIX e que veem nas “elites de Bruxelas” a raiz de todos os problemas do velho continente, estão tendo lugar de Lisboa a Varsóvia. Think tanks como Ordo Iuris — o apelo ao latim já diz muito sobre os posicionamentos da organização — clamam por um “Grande Reset”, que na prática seria a dissolução da União Europeia como se conhece hoje. Estudos apontam que em 2024 registrou-se um crescimento expressivo dos partidos de extrema-direita através da Europa, ainda que por ora estejam distantes da influência que almejam.
A América Latina também passa pelos seus percalços nesse sentido. Noboa, Bukele e Milei são os nomes óbvios da direita em terras latinas, capitaneando toda a sorte de infortúnio e importando o que há de pior do Made in America. E, mesmo nos países em que as lideranças pendem mais para a esquerda, ainda há de se observar a presença do conservadorismo dentro das esferas locais. Brasil e Colômbia figuram como ótimos exemplos onde governos mais progressistas precisam de um esforço monumental para fazer avançar suas pautas, transitando entre a conciliação e o embate. Voltando à narrativa do “quintal”, é sempre bom lembrar que para o Tio Sam não há pecado ao sul do Equador, e não estou falando da liberdade sem culpas da canção de Chico. Seja apoiando “presidentes à distância”, como o agora esquecido Juan Guaidó; seja servindo de palco para filho de ex-dirigente pedir porta-aviões no lago Paranoá, ou ainda com suas notórias conexões diretas e indiretas em golpes de estado, é sabido que os EUA tiveram (e ainda têm) grande capacidade de nos chatear.
O interessante dessa história toda é que, como já disse, não estamos mais no século XIX ou XX. As coisas mudaram. A Europa, ainda que atônita, parece estar em vias de acordar e ressignificar o seu trajeto. O Readiness 2030 — confesso que o nome anterior de “ReArm Europe” me causou um certo espanto à época do lançamento — de von der Leyen se propõe a adereçar um problema que, em grande parte, foi causado justamente pela dependência do velho continente para com os EUA. No campo econômico, as negociações com o Mercosul, mesmo que aos trancos e barrancos, sinalizam uma tentativa de obter autonomia estratégica em uma arena internacional marcada pela rivalidade entre a China e os Estados Unidos. A ascensão do “dragão chinês” e seus desafios na arena internacional serão assuntos que deixarei para outra reflexão.
Já do lado do Sul Global, nos esforçamos para fazer mais do que somente dançar a música. Lula III aposta em alianças e parcerias estratégicas que não nos deixem como apenas coadjuvantes, como a visita de Macron no ano passado nos deixou perceber. A Colômbia de Petro se mostra valente para confrontar os desmandes de Donald Trump e clama à comunidade internacional a colocar um fim nas barbáries cometidas contra o povo palestino. Na África, parcerias como a Aliança do Sahel prometem novas perspectivas aos países de uma região que há muito já se cansou de ser uma nota de rodapé na história das grandes potências. A possibilidade de sentar a mesa de negociações com países como Rússia e China também expande os seus horizontes, para não mencionar a postura mais pragmática e soberana no que tange às relações com seus antigos colonizadores ao norte. E, por falar em alianças, não há que não comente sobre a relevância do BRICS+, certo? As regras do jogo mudaram, e se faz essencial compreendê-las o mais breve possível.
Se a Armadilha de Tucídides é improvável e a de Kindleberger talvez inadequada para o século XXI, como podemos interpretar esse momento delicado de grandes mudanças na arena internacional? Como lidar com os espasmos violentos de uma nação que ainda não abandonou a posição de hegemon? Lamento dizer, mas não tenho nenhuma resposta pronta. Política externa não é receita de bolo e esse texto tampouco é um artigo inovador no campo das Relações Internacionais. Dito isto, volto a um dos pontos que mencionei no início desta reflexão: cautela.
A anatomia da queda, por vezes, é mais importante do que o imediato pós-tombo. Em outras palavras, entender o que esse processo de declínio acarreta já é, ao meu ver, um esforço medonho por si só e que não deixa de ter relação direta com o exercício de se pensar nos desafios que vêm adiante. Desta forma, compreender as dinâmicas que cercam esse período de transição, o qual ainda não sabemos quanto tempo durará, pode servir como uma excelente ferramenta para melhor definir nossas estratégias e táticas, ainda que estejamos imersos na incerteza. Ou, como disse o general-presidente Eisenhower: “planos são inúteis, mas planejamento é tudo”. Por fim, a citação inicial deste texto não está lá à toa, mas diria que o caso dos EUA tem um agravante: foi o rato que decidiu se encurralar. E, definitivamente, um rato paranóico é pior ainda.
Referências:
Gilpin, Robert. 1981. War and Change in World Politics. Cambridge: Cambridge University Press.
Kindleberger, Charles Poor. 2013. The World in Depression, 1929–1939. 40th Anniversary Edition. Bradford Books.
Mearsheimer, John J. 2014. The Tragedy of Great Power Politics. New York: W. W. Norton.
Modelski, George. 1987. Long Cycles in World Politics. London: Palgrave Macmillan UK.
Morgenthau, Hans J. 1954. Politics Among Nations: The Struggle for Power and Peace. New York: Knopf.
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